Umumbigo


virgens suicidas
Agosto 18, 2009, 12:02 am
Filed under: cinema | Etiquetas: , , ,

De Sofia Coppola: tão trágico de tão belo. Ambientes desmaiados, ulmeiros doentes, cinco irmãs que morrem antes de viver. A ânsia pela descoberta sufocada pela religiosidade dos pais. E obsessão.  Uma curiosidade implacável dos rapazes pelas misteriosas London, cabelos loiros presos num quarto, longe dos perigos mundanos (?) e entregues a um fim que se aproxima. A voz pausada e quente do narrador transporta-nos para este bairro certinho, de jardins bem tratados, vemos a vizinhança tranquila e preocupada com o seu status, vivendo de aparências, intriguista. E os desesperos das adolecentes: cinco suicídios.

(Doctor: What are you doing here, honey? You’re not even old enough to know how bad life gets.
Cecilia: Obviously, Doctor, you’ve never been a 13-year-old girl.)

virgin-suicides03

Como escreveu Eurico de Barros, crítico de cinema e jornalista português:

“Sofia Coppola, que também escreveu o argumento, finta «cliché» após «cliché» dos filmes de «angst» juvenil – até mesmo a própria «angst», e filma numa rotação lenta invulgar no género. Aqui não há pais demonizados, adolescentes vitimizados, cenas de sexo gratuitas, uma banda sonora cravejada de «hits» barulhentos do Top Ten da época, nem rebuscadas «explicações» psico-socio-dramáticas para os actos serenamente desesperados das louras Lisbon. Como diz o narrador após tudo se consumar, o que ficou foi a estranha lenda das Lisbon e as peças soltas dos «puzzles» das suas curtas vidas que ninguém conseguiu juntar.
«As Virgens Suicidas» não é uma história feita de acontecimentos concretos e factos objectivos. É um filme sobre os mistérios irracionais da adolescência, sobre o fascínio mudo, parte lúbrico, parte inocente, dos rapazes pelas raparigas, e sobre as respostas destas, indecifráveis e desconcertantes. E toma a forma de um delíquo cinematográfico com cinco jovens personagens tão etéreas que ameaçam subir ao céu a qualquer momento, perante os olhos dos seus admiradores, com uma banda sonora (dos Air) tão vaporosa que às vezes quase a vemos dissolver-se ecrã abaixo, e filmado com as cores berrantes da época, rosas, laranjas e verdes e amarelos, só que deslavadas, como se a película datasse mesmo dos anos 70 e o seu restauro fosse urgente. Até o sol que ilumina as Lisbon por trás, como uma aparição de ninfas num campo, parece estar doente, atacado de anemia, à beira de um desmaio de luz.”

in Cinema 2000

Para ouvir a música que nos perturba e encerra na melodia a tristeza de quem não conseguiu respirar. A leveza é estonteante: Playground Love, dos Air.


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1 Comentário so far
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Vamos lá ver se é desta q consigo comentar. Fiqei cheia de vontade de ver o filme, parece interessante. Adorei o teu blog Marta, tens imenso jeito para a escrita :) *

Comentar por Danny




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