Umumbigo


plug in baby
Novembro 28, 2009, 3:25 pm
Filed under: concertos | Etiquetas: , ,

E dia 29 é amanhã.

Anúncios


néon
Novembro 28, 2009, 2:58 pm
Filed under: Uncategorized

por caruba, Flickr

Cheira a relva cortada e acendeu-se a primeira luz de néon.

E surge um sorriso. Um fulgor. Sorrisos que abalam, viciam, prendem. Sorrisos misteriosos, provocantes. Que incitam, que despertam. Uma covinha na face direita, um olho que brilha. Uma expressão de desafio, um convite discreto. Simulação, jogos de sedução.

Os avanços, os recuos, os duelos impossíveis. Há sempre uma racionalização desnecessária. Nasce o constrangimento, apodera-se a razão do coração, quase que te obrigas a sentir com o cérebro. Mas fora os preconceitos e tabus e impossibilidades frustrantes, há que viver desmedidamente. Perdida e apaixonadamente. Sem advérbios de modo, apenas com a intuição: iniciemos a demanda da espontaneidade. E procuremos mergulhar de cabeça, sem medos ou amarras, esquecendo tudo aquilo que nos reduz a uma indefinição pensante.

São olhares. Penetrantes e quentes, seguros. Uma oportunidade que se agarra ou foge com o vento outonal, um despertar que se quer, que é preciso. Crescer. Sem medos ou amarras, querer sair da margem. Nadar até à próxima, e daí em diante, num processo contínuo de procura e descoberta. São gestos, expressões desvendadas. E sorrisos. Lufadas de ar, tentadores como chocolate quente.

“Pensar incomoda como andar à chuva”. Então fiquemo-nos apenas debaixo da tempestade, fria e cortante, reavivando os sentidos, ouvindo cada gota cair no meu olho, na tua boca, no meu ombro, no teu pescoço. Daqui a nada surge o sol tímido e, aí, fiquemo-nos também debaixo dele, secando dúvidas e impasses, amadurecendo cumplicidade e entrega. Ouves o sino? É meia-noite, quarto minguante. Daqui a nada chega o ar frio matinal, ainda orvalhado, e ficaremos ainda debaixo deste céu que se vai desvanecendo, despede-te dos astros siderais, agora é a hora do azul límpido. O tempo aqueceu, tempo de Verão. Continuemos debaixo deste azul intenso, promessa de felicidade, promessa cumprida.

Céu iluminado que permanece, agora e sempre.  A convicção de que hoje viveremos. Hoje que cheira a relva cortada e já se apagou a última luz de néon.



a rasgar a vida
Novembro 26, 2009, 11:12 pm
Filed under: música | Etiquetas:

Como um raio a rasgar a vida, como uma flor
a florir desmedida, como uma cidade secreta
a levantar-se do chão, como água, como pão

Como um instante único na vida, como uma flor
a florir desmedida, como uma pétala dessa flor
a levantar-se do chão, como água, como pão

 

(sim, ando muito musical)



como se
Novembro 25, 2009, 3:18 pm
Filed under: música | Etiquetas: ,

“Como se, a qualquer momento, Clint Eastwood entrasse numa casa de Fado e, no topo das escadas, Severa lhe apontasse a porta do quarto.”



nantes
Novembro 21, 2009, 8:00 pm
Filed under: música | Etiquetas:

tão bonita.



beyond the obvious
Novembro 16, 2009, 11:29 am
Filed under: música, Uncategorized | Etiquetas: , , ,

20th Century Boy, dos T-Rex

Para o anúncio da Jameson, Connie Bloom numa versão… Beyond the obvious.



quem vê caras
Novembro 15, 2009, 8:04 pm
Filed under: viagens | Etiquetas: , ,

Não vê corações. Excepto o das crianças. Elas têm uma expressividade inigualável. No comboio, observei fascinada um bebé que está na fase em que começa a dar os primeiros passos e quer explorar, desvendar, tentar manter-se firme em toda a sua fragilidade. E em cada sobrolho franzido, em cada covinha na face, em cada sorriso ou gargalhada ou choro de birra ou amuo e beicinho, em cada uma das suas incontáveis expressões explorou todos os músculos faciais. Especialmente expressivo. Os pais (seriam?) eram jovens e iam de cara fechada, quase desanimada. Sorriam apenas com uma gargalhada mais contagiante vinda do carrinho. De novo o rosto fechado. Entregar o bilhete e acalmar o choro, impedir que o bebé inicie uma tentativa de corrida no comboio, sentá-lo no colo, atender o telemóvel e olhar a paisagem que vai passando. Sempre de rosto fechado.

À medida que vamos crescendo, podemos cada vez mais perder a expressividade. Porque existe todo um conjunto de ditas “regras” e “normas” sociais que dizem que uma cara de amuo não é aceitável, que um fraquejar do rosto num choro que quer explodir é descontrolado. Devemos ser serenos, felizes, não excessivos. E vamos perdendo inúmeras expressões, vamos usando máscaras, vestindo a expressão do socialmente correcto. “Não faças cara feia”, dizia a mãe (seria?). Quando a“cara feia” era a mais sincera e bonita do comboio.