Umumbigo


néon
Novembro 28, 2009, 2:58 pm
Filed under: Uncategorized

por caruba, Flickr

Cheira a relva cortada e acendeu-se a primeira luz de néon.

E surge um sorriso. Um fulgor. Sorrisos que abalam, viciam, prendem. Sorrisos misteriosos, provocantes. Que incitam, que despertam. Uma covinha na face direita, um olho que brilha. Uma expressão de desafio, um convite discreto. Simulação, jogos de sedução.

Os avanços, os recuos, os duelos impossíveis. Há sempre uma racionalização desnecessária. Nasce o constrangimento, apodera-se a razão do coração, quase que te obrigas a sentir com o cérebro. Mas fora os preconceitos e tabus e impossibilidades frustrantes, há que viver desmedidamente. Perdida e apaixonadamente. Sem advérbios de modo, apenas com a intuição: iniciemos a demanda da espontaneidade. E procuremos mergulhar de cabeça, sem medos ou amarras, esquecendo tudo aquilo que nos reduz a uma indefinição pensante.

São olhares. Penetrantes e quentes, seguros. Uma oportunidade que se agarra ou foge com o vento outonal, um despertar que se quer, que é preciso. Crescer. Sem medos ou amarras, querer sair da margem. Nadar até à próxima, e daí em diante, num processo contínuo de procura e descoberta. São gestos, expressões desvendadas. E sorrisos. Lufadas de ar, tentadores como chocolate quente.

“Pensar incomoda como andar à chuva”. Então fiquemo-nos apenas debaixo da tempestade, fria e cortante, reavivando os sentidos, ouvindo cada gota cair no meu olho, na tua boca, no meu ombro, no teu pescoço. Daqui a nada surge o sol tímido e, aí, fiquemo-nos também debaixo dele, secando dúvidas e impasses, amadurecendo cumplicidade e entrega. Ouves o sino? É meia-noite, quarto minguante. Daqui a nada chega o ar frio matinal, ainda orvalhado, e ficaremos ainda debaixo deste céu que se vai desvanecendo, despede-te dos astros siderais, agora é a hora do azul límpido. O tempo aqueceu, tempo de Verão. Continuemos debaixo deste azul intenso, promessa de felicidade, promessa cumprida.

Céu iluminado que permanece, agora e sempre.  A convicção de que hoje viveremos. Hoje que cheira a relva cortada e já se apagou a última luz de néon.

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