Umumbigo


O romancista é todos nós
Fevereiro 26, 2010, 8:39 pm
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“Tudo é o que somos, e tudo será, para os que nos seguirem na diversidade do tempo, conforme nós intensamente o houvermos imaginado, isto é, o houvermos, com a imaginação metida no corpo, verdadeiramente sido. Não creio que a história seja mais, em seu grande panorama desbotado, que um decurso de interpretações, um consenso confuso de testemunhos distraídos.

O romancista é todos nós, e narramos quando vemos, porque ver é complexo como tudo.

Tenho neste momento tantos pensamentos fundamentais, tantas coisas verdadeiramente metafísicas que dizer, que me canso de repente, e decido não escrever mais, não pensar mais, mas deixar que a febre de dizer me dê sono, e eu faça festas com os olhos fechados, como a um gato, a tudo quanto poderia ter dito.”

Bernardo Soares/ Fernando Pessoa, Livro do Desassossego



como a papoila
Fevereiro 15, 2010, 12:55 pm
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“A palavra é como o açúcar, a palavra é como a papoila, precisa de passar por um processo de transformação, de refinamento, de ser caldeada, submetida a um processo de alquimia, a palavra (para ser entendida, para ser derramada, para ser bebida) necessita de repousar quente em amplas caldeiras e depois ainda de estagiar, anos a frio, em barris de casco de carvalho previamente untados com especiarias maravilhosas.”

Rui Zink, O Destino Turístico

imagem: deviantART



hardcore
Fevereiro 9, 2010, 5:22 pm
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This Is Hardcore



antropofagicamente
Fevereiro 6, 2010, 4:23 pm
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“Senti que esta antropofagia espiritual (que tão carnal, ainda que só simbolicamente digestiva, eu compreendia que podia ser) era também uma das significações da vida, a partir do instante em que tomamos consciência dela. As crianças devoram antropofagicamente as coisas que as rodeiam, para se apoderarem do mundo em que entram. Mas os homens devoram-se uns aos outros, para continuarem nele. E não apenas as vidas de cada um: também e sobretudo  o próprio ser de cada um. Quando alguém é modificado por actos nossos, é como se eses actos fossem um banquete ritual do que ele fora até aí.”

Sinais de Fogo, Jorge de Sena