Umumbigo


mar azul
Agosto 31, 2010, 6:27 pm
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Dúvida existencial: como fazer uma mala (ou duas, três, quatro) completa(s) de vida para seis meses?

Começo pelo essencial. Para já, levo dentro dela(s) os meus lugares, pessoas (muito) especiais, mar revolto e azul.

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Capítulo I
Agosto 31, 2010, 2:31 am
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Madrid: a casa
Agosto 30, 2010, 12:47 am
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Este espaço transformar-se-á, nos próximos seis meses, num umbigo viajante. Um umbigo entre muitos outros umbigos que percorrem Madrid. Um umbigo mergulhado numa capital europeia que cativa e apaixona ainda mais umbigos.

E a primeira missão está concluída: alojamento. Depois de dias muitos intensos e stressantes em busca da casa perfeita, uma correria desenfreada sob as tórridas temperaturas de Agosto de Madrid (quase a chegar aos 40º), entrando no metro, vendo casas, nova estação, novos “pisos para alquiler”.  De facto, o poço de ar que apanhámos no voo de ida já antecipava a agitação de Madrid: tudo inesperado, repentino, fugaz. De novo o metro, “É aqui que trocamos de linha?”, mais apartamentos e residências e anúncios e telefonemas. (¡Hola! Estoy buscando habitación  y vi tu anúncio de alquiler de piso. Puedo verlo hoy?) Uma, duas, três, multiplicadas vezes. Procurando na Plaza de Castilla, Cuatro Caminos, Moncloa, Argüelles, Bilbao, Alonso Martínez, Príncipe Pío, Casa de Campo, vírgula, vírgula, vírgula. E não foi fácil. Para além dos preços muito altos, é quase impossível assinar um contrato de aluguer de apartamento por apenas seis meses. “Pues… Sólo 6 meses?” Assistir à cara de caso dos senhorios… Próxima tentativa! Marta, Rita e Sara correm as ruas e avenidas. Todas as casas que vemos e interessam de alguma forma só estão disponíveis para 12 meses. E, como decidimos não mentir como muitos acabam por fazer, assinando por um ano e saindo ao fim de meio ano (sendo que pode ter complicações chatas e pagar esses 6 meses em falta), fomos perdendo contactos e hipóteses até chegar o último dia. Depois de muitas chamadas não atendidas, ligações interrompidas, desentendimentos e entraves de língua. Nota mental: Nunca dizer a um senhorio: Ya te ligo! Ya te llamo será o correcto… A 1º opção indica engate, atracção, proximidade física.

Mais horas em frente aos inúmeros anúncios actualizados no Idealista, Loquo, PisoCompartido, FotoCasa, etc. Folhas do jornal Segunda Mano riscadas e rabiscadas, tudo lido e relido. Tentam enganar-nos várias vezes com contratos duvidosos: modo desconfiança sempre alerta. No hostel, olhando para o movimento da Gran Vía, mentalizamo-nos que talvez voltemos sem a casa tratada.

Ontem, perto das 20h, vemos um último anúncio. Incentivadas pela Rute,uma amiga portuguesa da Sara que vive agora em Madrid, vamos espreitar as condições. Trata-se de uma residencial em La Latina, no fantástico centro de Madrid. A metros da Plaza Mayor, Sol, Callao, Gran Vía! Uma zona “llena de vida”, muito estimulante e madrileña, a verdadeira la movida da capital espanhola. Em cada esquina, tapas e sangria. Churros com chocolate quente num domingo de manhã. Música e igrejas barrocas, turistas e nativos.   E a residência divide-se entre vários estudantes Erasmus, um poço de nacionalidades e culturas. E, descendo “las escaleras”, exploramos o coração de Madrid.

Conheci a Faculdade – fica na Ciudad Universitaria. Estudarei na Facultad de Ciencias de la Información de la Universidad Complutense de Madrid e vou definitivamente perto de 5 ou 6 de Setembro, iniciando “el curso de español para estudiantes Erasmus.” Feliz e preparada para a mudança. Para já, aproveitar tudo o que de Portugal vai contribuir para a saudade.

Mudança de país, de pessoas e ambientes, cultura e rotina.  Fora da “área de conforto”, mergulho numa novidade constante, desafio agarrado, crescimento assegurado. E o futuro parece promissor.

Eis a nova rua de casa, calle Toledo: aqui

Até já, Madrid.




Madrid: parte I
Agosto 25, 2010, 12:03 pm
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«En el siglo IX, el hijo de Abderramán II, Muhammad I, construe el alcázar y la muralla dentro de la cual habría de delimitarse el espacio mercantil, consolidando, además, el nombre que dará lugar a Madrid: “Mayrit” – o “Magerit” en castellano – que vendría a significar “la ciudad de los caminos de agua”. Ya los visigodos llamaron “Matrice” al arroyo que atravesaba la calle Segovia, como si fuera el “arroyo madre” de todas las aguas. Los mozárabes la llamaron “Matrice”, y también “Mayra” (madre o matriz), que habría dado lugar a “Magerit” y a Madrid.»

Olá, Madrid. Começa hoje a aventura.



A coincidência
Agosto 22, 2010, 6:09 pm
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E o caixilho da janela e as rosas lá fora e mais além a relva e as árvores e a tarde que ia avançando por entre as falésias e ravinas e solitários penhascos. As sombras que se deslocavam imperceptivelmente  pelo interior do pavilhão criando ângulos onde antes não existiam, incertos desenhos que apareciam de repente nas paredes, círculos que se esfumavam como explosões de som.

– A coincidência não é um luxo, é a outra face do destino e também algo mais – disse Johns.

– Mais o quê? – perguntou Morini.

– Algo que escapava ao meu amigo por uma razão muito simples e compreensível. O meu amigo (talvez seja uma presunção da minha parte chamar-lhe assim) acreditava na Humanidade, portanto, acreditava na ordem, na ordem da pintura e na ordem das palavras, pois a pintura não se faz com outra coisa. Acreditava na redenção. No fundo, até é possível que acreditasse no progresso. A coincidência, pelo contrário, é a liberdade total a que estamos condenados pela nossa própria natureza. A coincidência não obedece a leis e se lhes obedece nós desconhecemo-las. A coincidência, se me permite a comparação, é como Deus que se manifesta em casa segundo no nosso planeta. Um Deus incompreensível com gestos incompreensíveis dirigidos às suas criaturas incompreensíveis. Nessa comunhão, nessa implosão óssea, realiza-se a comunhão. A comunhão da coincidência com os seus rastos e a comunhão dos seus rastos connosco.

2666, Roberto Bolanõ



Vai um voto?
Agosto 4, 2010, 4:56 pm
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aqui: http://foto.universia.pt/verfoto/Bolhao


e aqui: http://foto.universia.pt/verfoto/Cedofeita



Oliveira
Agosto 1, 2010, 11:50 pm
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Um novo ramo. E que lindo ramo.