Umumbigo


Milho
Janeiro 13, 2013, 3:25 pm
Filed under: nostalgias

XX

Na tarde em que Bianca viu-se sozinha sem combustível num sítio longínquo de onde partira e onde queria chegar, pensou o que a levava aí, em tempo e espaço. Estava, no fundo, em sítio nenhum: apenas milho amarelo e algum vento. Era aquele o primeiro dia a saber da morte da mãe. Ao peito tinha o rosário e todos pensariam que seria um gesto cínico. Mas não o era, já não o era. Acendeu um cigarro e pensou que se o carro parara exatamente ali e não dez metros antes ou depois, mas precisamente naquele ponto – onde à direita havia milho e à esquerda milho, em frente e para trás estrada, acima céu azul – então não poderia ignorar o que via e vivia. Não se tratava de uma escolha, naturalmente, mas de um caminho já traçado com mestria que a levava exatamente até àquele momento exato. A paisagem não se repetia, apesar de aparentemente igual era toda ela diferente se olhada com atenção e ternura, e saberia encontrar aquele ponto preciso quando aí voltasse, poucas semanas depois, comprado já o terreno para construir a casa branca. Teria atrás um jardim para cuidar e grades vermelhas a delimitar todo o campo envolvente. Outra certeza também já desenhada: alia seria feliz.

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