Umumbigo


quando o mel cristalizou
Março 23, 2013, 4:33 pm
Filed under: nostalgias

XXII

Estamos na altura em que o mel cristalizou. À badalada da uma da manhã em novembro, a mãe vem a correr lá de fora, de pijama e a rir. Abre os braço e diz: parece que estamos no verão!

Abraça  Lucília e pede-lhe para se deitar e ter bons sonhos. A cama fria recebe-a então de barriga para baixo e os caracóis repousam na almofada branca. Se nasci de um acidente, para quê contrariar a ordem das coisas, por que me estruturei tanto ao longo da vida?  Não quero pensar, as ideias não se podem esvaziar como pneus de bicicleta? Não quero ficar desperta, quero dormir sem ideias. Só ar e a minha cama. Dormir é bom. Assim como rir genuinamente e gritar porque me apetece. Não quero pensar.

– Mãe.

Mariana ouve Lucília e entra no quarto. Coloca-lhe a mão na testa e diz-lhe que está quente.

– São as ideias, outra vez.

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