Umumbigo


tangerina
Janeiro 1, 2014, 10:10 pm
Filed under: nostalgias

XXVIII

Teve sempre urgência em viver. Sabia que os segundos corriam rápidos e encolhia-se de ansiedade ao perceber os segundos perdidos a pensar nos segundos que passavam e eram já passado, presente que é passado, segundo após segundo que se multiplica num minuto, em vários, logo horas e dias e estações e anos, presente que é passada outra vez, merda.

– Não gosto que digas asneiras, disse-lhe Luís Inverno.

Olhou no cesto maças e tangerinas. Mais um segundo. O que lhe apetecia? Apetecer roubou-lhe outro segundo, e nisto Helga gritou:

– Temos pouco tempo.

– Para quê?

– Mas a palavra esperança emociona-me, e isso é bom. Contornou a mesa balanceando a anca ao ritmo de uma música imaginária e pegou uma tangerina. Imaginou na suculência dos gomos sumo de vida. E queria-a intensa.

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