Umumbigo


luz luminosa
Janeiro 4, 2014, 6:44 pm
Filed under: nostalgias

XLI

A luz de fim de tarde estava muito mais luminosa do que no dia anterior.
Lucília definiu-a na sua cabeça: maravilhosa. A luz. Ela também mas, principalmente, a luz. Teria que ser a personagem principal, tão ruidosa de brilhos e clarões surdos – não cegos – se afirmava. Definitivamente, não era uma luz cega. Era uma luz que via tudo e deixava ver tudo sem no entanto revelar o feio. Apenas o belíssimo e puro, não pueril, sim febril de êxtase. De uma doença saudável, portanto. Nunca de uma doença corrosiva. Determinantemente, uma luz que alimenta vida. Apetecia beijar. Trincar.

Lucília sentia-se maravilhosa também, envolta nesta luz que abraça agora mesmo de braços cheios.

– Pediu-me em casamento.

A mesma luz traça o perfil expectante da mãe transformado em surpresa, seguido de alívio e felicidade. Mariana sorri muito – os dentes numa linha branquíssima, os olhos muito claros como água límpida, a pele resplandecente – e emociona-se. Juntas molham os pés no rio incendiado pela luminosidade que não se ouve, que se vê intensa – incrivelmente intensa – daquele fim de tarde.

– Pediu-te em casamento.

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