Umumbigo


herbário
Janeiro 13, 2014, 4:34 pm
Filed under: nostalgias

XLIX

Nessa noite, começou um herbário. Perto das onze, saiu de casa de lanterna na mão e camisa amarela de dormir. O céu não tinha lua ou estrelas e era um manto indecifrável de escuridão. A luz da lanterna abria caminho entre o jardim. Iria colher todas as folhas e flores de personalidades diferentes. Naturalmente a personalidade de uma folha de acácia seria diferente da de um trevo. Em que se tocariam? Ou afastariam? Ou mesmo completariam? Conversariam de noite enquanto alguns dormem e outros consomem insónias?

Colheu um saco cheio de plantas. Novos amigos do trevo inaugural do seu herbário. Foi dormir prolongando a felicidade do dia e, de repente, é já de manhã e um sol majestoso quer abrir a persiana. Desce as escadas ao mesmo tempo que se espreguiça e ainda sorri, em invejáveis proezas matinais, vê a mãe Mariana na cozinha e não vê o saco que deixara em cima da mesa, com um nó cuidadoso para desatar naquela manhã, naquele momento, e percebe que – ontem andaste a tirar ervas daninhas? o que te deu? – e onde estão? –  o saco foi com o lixo.

O cosmos está agora destabilizado.

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