Umumbigo


laranjeira
Janeiro 14, 2014, 1:54 pm
Filed under: nostalgias

L

Sonhou que lhe roubavam a laranjeira. Roubavam-lhe a árvore principal do jardim. A mais estimada. A de fruto mais abundante.

No sonho, via formas disformes e a certeza muito clara de no lugar da laranjeira ficarem apenas raízes de terra. Seguia depois os pontos de laranjas frescas a afastarem-se a grande velocidade. Gatunos, levam-me a laranjeira.

Mas que tristeza, voltem! laranjas. Enquanto sonho podem elas ir com qualquer ladrão? Não é justo, voltem. Saltem das mãos deles e rebolem pela estrada fora até à minha entrada. Aí estarei para vos receber. Voltarei a plantar-vos com cuidadoso amor. Subo aos ramos para vos entregar às folhas a quem sempre pertenceram. A quem sempre pertencerão. Prometo regar-vos e ver-vos crescer. Apenas colherei as mais maduras. Comerei os gomos suculentos com carinho. Com prazer. Voltem!, aonde vão?

Acordou sentindo angústia. Depressa se situou, abriu a janela, viu no quintal a laranjeira. Inspirou: estava bonita. Indo até à cozinha, onde está agora mesmo, Petrúcio corta um limão em dois e espreme o sumo de uma das metades num copo. Continua a olhar a laranjeira em fugazes olhares, pelo canto do olho, através da janela suja de pó. Estás aí, fica aí, não te vás. Sentiu saudades de Maria.

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