Umumbigo


lenha
Janeiro 17, 2014, 12:48 am
Filed under: nostalgias

LIII

Também Mariana sente a falta de Maria. O cheiro a lenha queimada lembra-a com intensidade. Tem principalmente saudades de contemplar o fascínio que tinha pelo fogo. Como se fosse um precipício onde se quereria queimar. Se algum dia caísse, Mariana iria atrás.

Então, nessa noite, não quis apagar a lareira. Foi dormir ao som do crepitar da lenha, entre sombras de cores quentes. E dormiu profundamente.

– MÃE!

– Abriu devagar um olho e viu Lucília gritar e correr com uma camisola envolta no rosto. Sentiu o cheiro intenso a queimado. Ouviu o avançar de algo. Seriam labaredas? Formou um “ui” de medo na boca de espanto – Lucília a abrir com dificuldade a janela do quarto de onde saltariam – e logo fechou a boca com o fumo negro que a asfixiava. Mariana parte o vidro ao mesmo tempo murmurando: mãe.

De pés descalços fora da casa, não quis de imediato chamar ajuda e quase impediu Lucília de correr aos bombeiros.

– Pode ser a avó, sabes?

Lucília viu loucura no olhar, no entanto serenou pensando que seria a reação natural ao fogo que tudo transformava em cinzas, que desgraça.

– Tudo em cinzas – disse Mariana a sorrir.

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