Umumbigo


croissant
Fevereiro 5, 2014, 2:32 pm
Filed under: nostalgias

LXXI

– Hoje sonhei que eras um croissant.
– Simples ou com  compota?
– Não imaginas como foi angustiante. Fugíamos de alguma coisa
– De nós memsos.
– e tive que te apertar na mão. Ficaste esmagada e, de repente, eras quase migalhas. Corri numa rua e coloquei os teus pedaços no chão, para organizá-los e juntá-los de novo. E ouvir-te falar de novo. Já não falavas, era como se tivesses morrido.
– Manuel. Se tinha compota, de que sabor era?
– Depois começaram a chegar pedintes. Muitos, de todos os lados. Exigiam que te partilhasse. Expliquei-lhes que aquilo eram pedaços do teu corpo, que não os poderíamos comer, que te tentava fazer viver de novo. Acordei nesse momento. Muito perturbado. E a chorar, sim, a chorar. Doí-me a cabeça.
– Ficaste com compota nas mãos?
– Não tinhas compota nenhuma.
– Não gosto de ser um croissant simples.
– São os melhores, Violeta.
– De qualquer forma e pelo que me contas, morri.
– Ainda podias viver. Os pedintes concordavam que não te podiam comer. Ainda podias falar! Hoje vou tentar sonhar-te outra vez. Vou fazer-te viver.
– Sonha-me com compota de morango.

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