Umumbigo


carnaval
Março 10, 2014, 11:44 pm
Filed under: nostalgias

CI

Começou a ver duas cabeças, duas colheres, duas chávenas. Qual era a real, perguntava a Lucília, qual era o espelho. Qual era afinal o espectro. Dois pés no lugar de um, quatro se aponta os olhos aos dois chinelos. A vida de repente muito cheia de linhas, curvas e cores, e Mariana a correr atrás, confusa, a apalpar o que existe – agora uma noz – e a tentar tocar a forma rugosa de outra feita de ar.

– O melhor de tudo isto é ver-te duas vezes. – Lucília ri-se com a mãe, a espantar o medo. – Se hoje fosse ontem e ainda visse o mundo como um só, todo certo, tinha mais Lucílias. – Mariana com os olhos muito abertos, dobrados de amor.
– Chamar-se-ia Lucília de novo?
– Sim, Lucília.
– E se fosse um menino?
– Lucílio.

Lucília a imaginar como seria ter um irmão. Lucílio.

– Partes-me uma noz? Não quero quebrar o ar que se veste de noz, qual carnaval. A disfarçar-se de tanta coisa gostava muito que se vestisse de Maria. E bastava-nos uma.
Sorri Lucília a entregar o miolo – dois miolos – à mão da mãe – duas mãos – que a(s) estende com atenção, não caia o fruto na palma de ar para logo aterrar no chão, onde passou há pouco o cortejo e podemos jurar que Maria seguia à frente, muito alegre, atirando confetis a todos.

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