Umumbigo


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Março 22, 2014, 2:39 pm
Filed under: nostalgias

CXIII

Poder deixar as portas abertas, o ar novo saltando as janelas que respiram, a casa a convidar alguém a entrar. Bianca sentiu uma apoteóse de liberdade e sorriu ao sentir o lenço esvoaçar ao vento quente no pescoço, numa previsibilidade reconfortante. As espigas de milho permaneciam, felizes, a serem semeadas, pequenas, crescidas, colhidas, comidas, de novo semeadas. A árvores grande também. Gostaria de saber que espécie de árvore seria, e não sabendo até ali continuaria a chamar-lhe de árvore grande. Pensava muitas vezes que havia dias em que seria bom ser uma árvore. Não uma qualquer, aquela. Estar ali, ser ali. Apenas estar e ser ali, sem expectativas. Contentar-se em crescer no ar, abrir ramos e folhas, ver passar estações, carros, pessoas. Em paz.

Bianca caminhou até ela e traçou um risco leve com a chave do carro no tronco. Quase esperava que abanasse um ramo, mas permaneceu imóvel, a ser e estar ali, juraria que quase irradiava alegria. Bianca abraçou-a na esperança de ser contagiada por essa serenidade feliz, antes de correr até ao carro para correr até casa de Mariana, onde as janelas estão fechadas e não há árvores contentes.

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