Umumbigo


dente
Abril 6, 2014, 2:23 pm
Filed under: nostalgias

CXXVIII

Petrúcio atirava com a língua o dente para lá, de novo para cá. Rodou-o depois com o dedo até sentir que torcia o último fio que o prendia. Arrancou o dente com dor e sentiu o sangue escorrer no lábio, a boca entorpecida. Apressou-se até ao quarto. Pelo caminho, desacelerou. Ia nos primeiros quatro passos divertido na expectativa de assustar Maria com um dente feio e ensanguentado. Foi nos seguintes passos lavá-lo para que o susto não fosse tão grande. Com o dente a escorrer água entre os dedos, entrou no quarto quente. E sorriu ao vê-lo vazio, apenas uma almofada e dois chinelos. Disseram-lhe que era normal agir como se Maria ainda andasse pela casa. Iria prolongar a normalidade até ao fim do último dia.

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