Umumbigo


pessoas
Abril 11, 2014, 9:01 pm
Filed under: nostalgias

CXXXIII

Bianca fica sentada na rua, soprando garrafas de vidro. Veste um macacão de ganga que lhe levou a mulher do café, a mulher visita-a todos os dias, é uma mulher generosa, e faz música leve enquanto pensa onde estão, afinal, as pessoas. Passeiam-se por aí ossos e carne com roupa. Mas as pessoas? Que se riem e se emocionam e se zangam? Como podem ser todos tão serenos. Porquê pacíficos. Se a vida é um vulcão, como não se exaltam. Como vivem tranquilos entre paredes brancas e divisões limpas. Como não desarrumam tudo para se sentirem vivos. Como apertam os atacadores e sorriem uns aos outros e dizem bom dia, boa tarde, boa noite, até amanhã, então adeus.

Passa alguém rápido, talvez rápida, que lhe atira uma moeda. Bianca segue soprando garrafas de vidro. Onde estão as pessoas, onde estão afinal.

– Olá Bianca, procurei-te em todo o lado – é Lito que a olha de cima, contra o sol é só um vulto negro. A voz revela que é Lito, Lito encontrou-me, aqui está finalmente uma pessoa que é uma pessoa que se quer pessoa. Bianca atrapalha-se a soprar a garrafa de vidro, fingindo que a presença não a desconcertou.

– A Lucília gostava de ver-te. Podes vir comigo?

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