Umumbigo


clímax
Maio 7, 2014, 3:58 pm
Filed under: nostalgias

CLX

No fim de dançar na pista, Helga sentia o que chamava, de boca cheia, anti-clímax. Uma desilusão, um vácuo, um vazio incrível e que queria irrepetível. Mas que se repetia todas as noites em que dançava.
Explica agora a um estranho que conhece à saída, vai de sapatos na mão e caminhando de meias de vidro pelo chão frio e sujo da avenida, explica agora que quando atingimos algo deixamos de atingir esse algo e o estranho acena que sim para não adormecer com o cansaço de uma noite a procurar alguém, não tens sapatos? É dar e tirar, é perigoso, continua Helga, e caminha em cima de vidros e cacos e não se corta, não se magoa, nem mesmo sente vidros ou cacos. Sente apenas o anti-clímax, um sacana repetível, nunca sentiste isso?
O estranho acompanha-a com esforço e já não acena. Parece que vai desmaiar. Helga apressa-se a sair dali, não tenha ainda que o arrastar pelos ombros. Não o conseguiria conseguir assim triste, de meias de vidro.

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