Umumbigo


vaso
Maio 12, 2014, 3:58 pm
Filed under: nostalgias

CLXV

Faz de conta que isto é o chão. Faz de conta que aquilo é a chuva. Faz de conta que me sentei no chão porque quis sentir a chuva. Faz de conta que o fiz feliz. Ou faz de feito que me colocaste aqui como um vaso molhado.
Violeta conta tudo em pormenor de forma muito teatral, em grandes gestos e expressões. Está no quintal e explica efusiva a Mariana o que Luís fez no início dos inícios. Num pesadelo de mulher complexa que era, tu sabes que sou, que terminaria com um abraço, tu sabes que um abraço é muitas vezes o melhor remédio, Luís pegou em Violeta como a um bebé pequeno e sentou-a na terra suja, à chuva.

– Para acordares – dir-me-á ele que me disse.

Quando despertei do pesadelo, Luís dormia no meio da nossa cama e eu no quintal sozinha sem saber que era aquilo o quintal, parecia ainda o pesadelo mas depois já era já um sonho tranquilo. Porque senti-me bem, Mariana, senti-me bem. Foi por isto que no dia seguinte fui ao quintal gritar o primeiro grito. E depois muitos mais dias, bem sabes. Muitos mais. E de quem é a culpa se sou um vaso sozinho com flores murchas de inundadas? Agora bem vês que nenhum vaso se parte sozinho, nenhum.

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