Umumbigo


flores
Junho 2, 2014, 6:30 pm
Filed under: nostalgias

CLXXXVII

As flores eram vermelhas e os sapatos azuis. Os olhos de Guida eram molhados só de ver o ramo bonito que lhe estendia o taxista, de fato passado e sapatos engraxados de azul celeste, quase novos. O momento era solene e vamos congelá-lo para poder compreendê-lo melhor.

Guida quase chora, bem sabemos, e tem os nervos à flor da pele. Esperava com excitação exatamente aquilo quanto o temia. E quando ele chega, o taxista com as flores e o momento a levitar no ar como um balão agarrado por um fio pelo qual se puxa, até nós, quando o momento chega já Guida quase não sabe o seu nome, o teu nome, o que quer da vida, fujo ou fico? O taxista tem gel no cabelo e perfume inebriante. Dá para ver que preparou a surpresa com exímio detalhe e amor.

Mar espreita de uma esquina, Mar explode de ciúmes e tristeza. Antes que o ramo caia nas mãos de Guida, antes do beijo e dos braços enlaçados, antes de tudo o que não quer ver salta gritando de faca em punho. Não fosse a arma perigosa e o momento trágico, seria só ridículo. Mas Guida já vê na pele branca um fio de sangue, as flores no chão, os sapatos azuis em frente manchados de vermelho quente. A faca brilha. O taxista agarra-se à barriga, Damião olha-o perplexo, o balão fugiu entre os dedos e sobe no ar.

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