Umumbigo


branco
Junho 15, 2014, 1:22 pm
Filed under: nostalgias

CXCIX

O espanta-espíritos na porta azul aberta é bonito e lembra-a que vale a pena olhar o que é bonito. Por isso olha-o muito quando se senta cá fora, num cadeirão que balouça e tem o estofo roto. Há um gato de unhas grandes que o arranha de noite, já o rasgou, mas aquele cadeirão é por direito de repetição de muitas noites a sua cama, continue a estória.

Em frente, ao longe, as arribas e cá mais perto os dentes-de-leão. Segura cabelos entre os dedos para fazer pequenas tranças. Então Mariana viu o cabelo branco. Um. Era o primeiro que via. As paredes caiadas ardem de calor e o cabelo branco débil, frio, velho.

Em frente a estátua rachada, também bonita. Há esse cabelo branco, como floco de neve que pousou ali por engano, antes de derreter, mas mantém-se o sol que morena e ainda vê a estátua bonita e o espanta-espírito que enche o ar de sons metálicos como sopros a girar. Haveria em breve Lucília a passar o portão para contar os mais recentes episódios do quotidiano. Tudo seria de novo novo.

 

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