Umumbigo


poema
Junho 22, 2014, 1:28 pm
Filed under: nostalgias

CCVI

Começou um poema sobre um poema que queria ser um poema e não conseguia ser uma poema. Era qualquer coisa que ficava a caminho disso, incompleta, mas era também algo em demasia para não ser nada.

Mariana pensou se seria também isso. Qualquer coisa a caminho do que queria ser, e isso parecia nunca poder vir a alcançar, mas muito para não ser nada. Era Mariana, claro. E não sendo a que queria ser, se o é alguém, era Mariana, claro.

Nisto Petrúcio passando na cozinha viu-a rabiscar, perguntando o que escreves?

– Nada de especial, rascunhos.

– Como somos todos.

– Somos o quê?

– Rascunhos de qualquer coisa que nunca vamos passar a limpo. Repetir duas vezes a mesma linha tem que ser uma perda de tempo, e o tempo é raro. – o fim era já um murmúrio, Petrúcio seguia andando e passou a porta de casa nas últimas palavras, o tempo é raro.

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