Umumbigo


nimbo
Agosto 26, 2014, 3:35 pm
Filed under: nostalgias

CCXXXIX

Naquele dia aprendeu uma palavra nova. Olhando uma enorme nuvem cinzenta muito baixa, quase podendo tocá-la com a mão, ouviu Petrúcio

– É um nimbo.
– Isso dá em chuva?
– Pode dar, é uma nuvem carregada.
– Vamos ficar molhados.
– Pode ser também uma auréola.
– O que é isso?
– O círculo de luz que vemos à volta dos santos.
– Nunca vi um santo.
– Eu também não, é o que dizem.

Lucília encolheu os ombros. Sempre tinha dúvidas sobre o que alguém que não podia abraçar dizia. Isto significa ter maiores dúvidas à medida que o número de pessoas defensoras de alguma coisa ou coisa nenhuma crescia. Maria dizia – amanhã está sol – e Lucília podia abraçá-la para acreditar. As tias diziam – há amoras silvestres naquele caminho – e mesmo a custo todas cabiam no abraço de Lucília, logo acreditando. Petrúcio apontava o nimbo e um nimbo então seria. Sabia no entanto não poder cingir todos os que falavam da luz dos santos, nunca teria braços tão grandes. E o tamanho do abraço que cada um de nós pode dar não é nenhum acaso.

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