Umumbigo


falésia
Fevereiro 3, 2015, 11:41 pm
Filed under: poesia

Lá vai a bicicleta do poeta em direção

ao símbolo, por uma dia de verão

exemplar.

Desconfiando de quem seca roupa

dentro de casa,

lá vai.

Contente por acertar a tabuada

e todos os nomes de animais extintos

que viveram para se alimentar,

procriar,

fugir de predadores.

Não correram tudo, afinal

(eu posso correr tudo)

tropeçaram na hipotenusa e nos catetos,

rasgaram um joelho

(eu comi o sol e engordei)

não tiveram mães nem colos quentes,

pés em cima de pés e isto é fundamental

como desenhar faíscas e foguetões.

As mães não deviam morrer

e o que interessa isso se

lá vai a bicicleta

beijando a terra com dentes tortos.

Era um poeta só

querendo acelerar e de repente

(eu sou de repente)

escorregou no metal,

mandaram-no calar

mas quis cantar mais alto

em direção ao símbolo

falésia e perigo de derrocada.

Travou a tempo de domar o aço

o espanto,

e o suor

(suei)

no dia de verão exemplar

sem exemplo

porque se há nevoeiro

deves moderar a velocidade

da tua bicicleta,

largar a aventura e a poesia: inúteis, disseram-me

e nunca esquecer o capacete

(esqueço-me sempre).

fev 2015

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2 comentários so far
Deixe um comentário

muito. muito. lindo. esplêndido. amei :) parabéns e continua…

Comentar por joana soares

muito obrigada joana, um beijo grande e até breve :)

Comentar por umumbigo




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