Umumbigo


clarão
Novembro 8, 2015, 7:02 pm
Filed under: poesia

Um Deus pode. Mas como erguer do sol

terramotos e inundações. Pó, guindastes, ferro

e alguém que diz: mais devagar, por favor.

Como erguer da barafunda atenção

para abrir de noite a janela

sabendo que epopeias e libélulas têm a mesma grandeza.

– quando nascemos começamos logo a morrer –

depois há o abismo da imaginação.

Um Deus pode. Por exemplo apalpar o fundo

das coisas

da sílaba ao clarão. Enfrentar com a mesma esperança

o sublime e o terror. O amor.

Pode fazer crescer o silêncio maior do que uma bomba

pode alimentar a hora das corujas que falam dessa

alucinação ou pasmo da escuridão

pode rir-se deste verso porque sim, sim pode.

E como erguer da maré a baleia, o osso medido a régua

e esquadro

ao compasso da luz da lua – isto são delírios azuis.

Subitamente percebi: não sei se saberei perder o medo de escavar.

Intrigar-me-á até ao fim dos dias quem dá maiúsculas a

terra mar céu deus

sinal de importância quando o que de maior têm é o quotidiano.

Dizem que se a ele sobrevivem é tudo

– posso eu?

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