Umumbigo


A alegria do novo
Janeiro 10, 2016, 2:26 pm
Filed under: crónica

No dia em que escrevo esta crónica nasceu a última semana de dezembro. Quando as palavras se transformarem em papel impresso, já teremos feito a contagem decrescente para 2016.

Estaremos então no ano novo, com toda a expectativa que ele encerra em si mesmo.

Sempre gostámos de imaginar o futuro e a vida por viver. Que surpresas trará? Saberemos contar os motivos para sermos gratos? Conseguiremos cumprir este e outro sonho? Estamos agora segundos mais velhos e não poderemos recuperar os que passaram. Fizemos tudo bem até aqui? Podemos pelo menos fazer de futuro? Se isso engloba o ângulo torto e errado das coisas, que logo equilibra o muito certo, diremos que sim.

Depois do balanço de tudo o que passou, entrar no novo ano é para muitos uma oportunidade para assentar planos e listas de novos hábitos e projetos. E, com alguma esperança, aprenderemos ou aperfeiçoaremos a arte de sermos e fazermos os que nos rodeiam mais felizes. É bom alimentar esta ideia de podermos contribuir para melhorar algo – começando em nós mesmos, abarcando os outros, as cidades, os países, o mundo sem barreiras geográficas ou culturais.

Para 2016, tenho uma ideia que quero que brilhe com intensidade o maior número possível de dias. Quero ser capaz do espanto. Isto significa ver com olhos novos e reaprender a novidade das mais pequenas coisas. Como dançar, admirar a lua cheia, abraçar. Ou mesmo pintar.

No Natal recebi um daqueles livros de colorir para adultos que estão muito em voga. Dizem que é terapêutico porque tranquiliza as mentes mais irrequietas e proporciona um momento de relaxamento. Soube logo que a melhor experiência seria partilhar um dos desenhos e hoje pintei-o com a minha sobrinha maior. A Leonor, de cinco anos, escolheu uma mandala grande cheia de pequeninas formas e padrões geométricos hipnotizantes. É uma das mandalas mais complexas de todo o livro. Concluí que iríamos precisar de mais tempo do que o habitual para colorirmos tudo. Teríamos também que ser mais meticulosas para manter a diversidade da representação, pintando o interior de cada forma geométrica uma a uma. A Leonor respondeu-me com muita sabedoria: “Quanto mais paciência tivermos, mais bonito ficará o desenho”. Quanto mais tempo dedicarmos, melhor será o resultado. Nesta ideia simples está uma enorme lição.

Há muito a palmilhar no círculo sem princípio nem fim visível da rima dos dias e sobre esta ciência não sei muito, não sei se alguém saberá. Mas ter esta consciência de saber tão pouco sobre tudo para abrir ainda mais os olhos curiosos é o princípio da aprendizagem e da descoberta de significados maiores.

E com paciência e tempo atento investido, como diz a Leonor, acredito que poderemos encontrar a beleza onde menos esperamos. Reparemos então em tudo com a alegria de estrearmos olhos novos. Se multiplicarmos esta aventura por todos os dias, 2016 é promissor.

in Defesa de Espinho, 7 janeiro 2016

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