Umumbigo


Avô
Fevereiro 27, 2016, 7:25 pm
Filed under: poesia

O meu avô manda-me ir à luta e diz que vou ganhar enquanto sento-me para

ouvir o discurso e tento imaginar se passará nos genes o dom da palavra e como se

desenvolvem conselhos assim tão certos, tão cheios de verdade, conselhos

enormes que não cabem nos meus bolsos. Logo transbordam e apanho-os do chão

muito depressa – são demasiado valiosos para esquecer um só, são cristais

pequeninos brilhantes do esforço do Senhor Manuel que foi criança de Nogueira

para o Porto e mal abriu os olhos começou a fazer-se à vida cheio de garra,

cheio de ganas, saltando dificuldades como corrida de obstáculos, cruzando

a meta sem temer o caminho: aqui chegámos com a memória de todos os nomes

e até da matrícula do primeiro carro vermelho.

Hoje há família à volta da mesa. O meu avô faz anos e mesmo em dia de festa

haverá palavras generosas: talvez o melhor seja ir por ali, há que continuar a andar.

São conselhos que de cristais pequeninos se transformaram em montra muito

grande a brilhar de orgulho, sacrifício, valor, esforço. A brilhar de amor.

 

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