Umumbigo


Bohemian Rhapsody
Março 14, 2017, 9:30 pm
Filed under: crónica

Um amigo escolheu cantar a Bohemian Rhapsody num bar de karaoke, em Maputo. Isto é mais do que uma trivialidade. O Venceslau vai rir-se desta crónica, mas quero falar sobre coragem. Antes dele, está a do Freddie Mercury. Desafiou qualquer convenção com uma energia de outro mundo e talvez por isso haja hoje um asteróide com o seu nome.

Podemos lembrar o vídeoclip de “I Want to Break Free”, em que Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor surgem travestidos – o que, naquele tempo, era de abrir muitos os olhos. Ou podemos lembrar a personalidade extravagante e os excessos conhecidos que cometia. Ou o espectáculo em palco que contrariava em tudo a tendência nascente do grunge. Ou a inacreditável escala que a voz de Mercury alcançava e que impressionava até uma diva da ópera como Montserrat Caballe. Podemos lembrar a irreverência e alguma coisa indefinível que era muito única. Ou os mais de 150 milhões de discos vendidos em todo o mundo que mudaram a história do rock.

E agora chegamos ao Venceslau num bar de karaoke, em Maputo, a dar um murro no ligeirinho porque é confortável e nos vamos sair bem. Então que música escolher de uma lista infindável? Se é para ir buscar emoção às entranhas e provocar um estrondo, fácil: a mais difícil de todas que dure 5 minutos e 55 segundos, que tenha mais do que uma língua e um coro (por que não cantar sozinho um coro?), que tenha um solo intenso, que vá da ópera ao rock, que seja confusa, que tenha ainda uma parte instrumental sem fim onde se abane a cabeça em cima do palco. E, claro, que a certo momento se cante: Galileo Figaro! Magnifico, oh! E temos que correr muito porque a vida é um clarão rápido e parar não é opção. É sempre tempo de dançar e aplaudir.

A canção foi composta em 1975 e é uma das músicas mais conhecidas dos Queen, nomeada várias vezes como uma das melhores de todos os tempos.

Provoca em mim uma reacção física e emocional de atracção e estranheza. É isto a vida real? É fantasia? Ninguém sabe. Sei que a Bohemian Rhapsody foi cantada pelo Venceslau com a maior das convicções no preciso dia em que assinalaram 25 anos da morte de Freddie Mercury. Olho para este momento de karoke como uma atitude que devemos ter na vida: muita garra a avançar sem medo, vestidos de ousadia. Não imagino melhor tributo ao Freddie.

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