Umumbigo


azeitonas
Julho 9, 2017, 6:55 pm
Filed under: poesia

Há coisas de que não me posso esquecer

como o sorriso sereno do meu avô, agora usa suspensórios e diz que vai guardar a maior posta de bacalhau para mim,

a Leonor que gosta de figos, o que faz dela uma criança muito madura com olhos muito grandes como só as crianças sabem ter,
a Mimi que acorda da sesta distribuindo mimos e alegria antes de me ter adormecido contando a história da menina corajosa,
os meus pais olhando em pé o mar da Granja cheio de poças e algas com as costas direitas, grandes como só eles sabem ser,
o meu pai apanhando o pato bravo no areal que fez rir quem se banhava ao sol,
a minha mãe enrolando o melhor bolo de amêndoa do mundo para atravessar o oceano,
a força que me dá a família para encontrar qualquer coisa que procuro e procuramos todos, todos os dias,
os meus irmãos acenando no aeroporto com a carinho dos irmãos mais velhos,
o Pedro contando coisas de lá, perguntando coisas de cá, unindo o Atlantico-Índico,
os abraços abertos dos meus amigos que sabem parar o tempo no momento em que dissemos até
para quando nos reencontrarmos retomarmos a última conversa em suspenso
e a oliveira do nosso jardim que cresceu tanto desde a última vez
– quando regressar talvez tenha azeitonas.
agosto de 2016
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