Umumbigo


Pan
Julho 9, 2018, 12:50 pm
Filed under: música

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apocalypse
Junho 12, 2018, 1:11 pm
Filed under: música



vento
Junho 12, 2018, 11:13 am
Filed under: citações, de ler

“O vento foi um pássaro e fugiu para fora de si mesmo quando os homens o quiseram capturar. Deixou de ter corpo, fez ninho nas nuvens e viaja com elas para pousar quando se cansa. É por isso que o vento canta. Porque já foi um pássaro. Em menina eu dizia que o vento “assopiava”. E o padre português Rudolfo Fernandes sorria com indulgência. Os idiomas são mulheres: namoram, engravidam e geram filhos.”

O Bebedor de Horizontes, Mia Couto



sorte
Junho 2, 2018, 11:16 pm
Filed under: Uncategorized

A minha avó sofreu uma

cornada de um boi na barriga

quando estava grávida.

 

Por sorte não aconteceu nada.

 

Por sorte aconteceu tudo:

nasceu.



Bangkok
Junho 2, 2018, 11:10 pm
Filed under: viagens

Táxis cor de arrebol

ali pegaram em nós

para corrermos

telhados alinhados

o monge no metro

antes da fome de noodles

da massagem nos

pés antes do tuk tuk

do 64º andar antes da

cerveja do rato da barata

do deus a sorrir

rodeado de cabos elétricos

colares coloridos antenas

cabeças cortadas em lugar

sagrado de copos, euforia

ou só a beleza do ritual de

oferendas: fruta madura

e descalçar para entrar

flutuar no mercado

ver o asiático cantar

Imagine

e eu que procurei sombra 

na varanda sentados 

os cânticos budistas

embalando

embalando

embalando

e ao fundo a vida gritou

motas! táxis! cor de arrebol.



espanto
Junho 2, 2018, 10:40 pm
Filed under: de ler

“Uma das grandes virtudes que precisamos reencontrar é a arte do espanto, pois é verdadeiramente por aí que tudo começa. Espanto deriva do latino expaventare que descreve a forte impressão originada por uma coisa inesperada e repentina. Se procurarmos sinónimos, encontramos assombro, admiração, surpresa. É o contacto (consciente, fulgurante, desarmado, rendido) com a vida maior do que nós, a vida em aberto, não predeterminada. No espanto, a nova e surpreendente expressão da vida prende a nossa atenção à maneira de um relâmpago, de um rasgão imprevisível. Não a conseguimos encaixar no nosso quadro habitual, pois o seu carácter inédito torna inúteis todas as previsões, saberes, experiências, etiquetas, mapas, preparações. Gosto muito da definição de espanto dada por Adorno: “Espanto é o longo e inocente olhar sobre o objeto”. É, de facto, um ‘olhar longo’ e isso talvez explique porque consideramos hoje tão pouco o espanto, num tempo que nos programa para olhares breves, relances, observações fugidias e utilitárias, cada vez mais simplificadas. E é um ‘olhar inocente’, isto é, aberto à revelação do próprio objeto, ao que ele pretende de nós e não ao que imediatamente pretendemos dele. O espanto obriga-nos a uma revisão do que sabemos de nós próprios e do mundo. Obriga-nos a recomeçar, como se fosse um nascer. Certamente que, no seu processo, o espanto desarruma e dói. Mas o amor, o conhecimento, a poesia ou a santidade principiam com ele.”

[José Tolentino Mendonça | A Revista Expresso | Edição 2296 | 29/10/16]



Mm-mmm
Junho 1, 2018, 4:40 pm
Filed under: música