Umumbigo


O mundo é um lugar estranho
Abril 1, 2018, 7:59 pm
Filed under: crónica

E, por estranho, falo de como é excêntrico e extraordinário. De como é desconhecido, misterioso, espantoso. Também raro e singular.

Tive esta impressão reforçada ao ver a exposição “The World of Steve McCurry”. Mergulhamos na objetiva de um fotógrafo que fez da viagem a sua vida. Enquanto percorremos as fotografias, numa sala fechada, damos a volta ao mundo e a tudo o que nos afasta. Mas, acima de tudo, a tudo o que nos aproxima.

Num abrir de olhos que não se podem fechar, vi o Muro de Berlim, as cores fortes da Índia, monges budistas com postura serena e feliz. Vi pescadores no Sri Lanka, um lago imenso em Myanmar, campos de arroz nas Filipinas. Segui a linha de comboio no Bangladesh, o pastor do Tibete, a sombra do refugiado paquistanês. Vi alguém emocionar-se com os destroços do sismo e tsunami no Japão e também com um menino de arma apontada à própria cabeça, no Peru. Admirei a enorme dignidade do olhar da mulher tuaregue. E a ternura de mãe e filho a dormirem no Camboja ou do elefante que se encostou a um homem a ler. Sorri com o sorriso do Rio de Janeiro, procurei os olhos atrás da burka, contemplei a família sentada no burro, a mulher a banhar-se no Nepal. Vi de novo as Torres Gémeas caírem, vi o retrato da menina afegã.

Durante a exposição, fomos guiados pela voz de Steve McCurry, explicando em que contexto tirou a fotografia. Confidenciou-nos qual a sua preferida, captada na Índia: meninas em círculo, formando uma mancha vermelha, numa tempestade de areia.

Tenho dificuldade em eleger qual me cativou mais, mas arriscarei: vemos um bebé ser auscultado e a boca pequenina forma uma exclamação que contém toda a surpresa de nascer. Afinal, começa aí o princípio que liga toda a humanidade – nascer. Onde e como traz muitas das nossas diferenças. E isso torna o mundo neste lugar estranho, excêntrico, extraordinário, desconhecido, misterioso, espantoso. Raro e singular.

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Exploradores
Abril 1, 2018, 7:57 pm
Filed under: crónica

Estou a ler um livro chamado Breve História de Quase Tudo, de Byll Brison. Comecei a leitura para conhecer um pouco mais do universo em que vivemos. O autor não é um cientista nem astrólogo e escreve sobre a história com humor e a simplicidade possível. Desde o Big Bang, passando pela teoria da evolução, os cromossomas ou a origem dos vulcões. Tanto conhecimento na palma da mão. Até agora, sublinhei várias frases fascinantes, como esta:

“Cada átomo que possuímos já passou com certeza por variadíssimas estrelas e foi parte de milhões de organismos pelo caminho, até se tornar parte de nós. Todos nós somos tão atomicamente numerosos, e tão vigorosamente reciclados no momento da nossa morte, que uma parte significativa dos nossos átomos – até cerca de mil milhões para cada um de nós, como já houve quem sugerisse – provavelmente já terá pertencido a Shakespeare.”

Somos poeira de estrelas. Não é isto belo? O fascínio que o cosmos exerce em nós é antigo. E desconhecemos tantos mistérios do espaço e tempo que habitamos. Como explica Brison:

“O resultado é que vivemos num universo cuja idade não conseguimos calcular, rodeados por estrelas a distâncias que não conseguimos determinar com precisão, preenchidos por matéria que não sabemos identificar, e a funcionar em conformidade com leis da física cujas propriedades não entendemos verdadeiramente.”

E apesar de toda a ignorância, estamos vivos. Acordamos todos os dias e esforçamo-nos por saber mais. Isto é, também, belo. Passam-se anos e anos e não saberemos se esse é pouco ou muito tempo porque a escala temporal é, também, muito relativa. Passam-se milhares de anos tranquilos até uma revolução natural mudar a ordem das coisas num piscar de olhos. Derek V. Ager, geólogo, afirmou com razão:

 “A história de qualquer uma das partes da Terra, tal como a vida de um soldado, compõe-se de longos períodos de tédio e curtos períodos de terror.”

Então aqui estou, em casa, Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, Portugal, Europa, Planeta Terra, Sistema Solar, Via Láctea, Grupo local de galáxias, Superaglomerado Local, Universo Observável. E o não observável?

Admiro muito todos os homens e mulheres que, no seu tempo, vão desvendando um pouco mais da complexidade deste puzzle. É preciso coragem e ousadia para levantar os olhos do chão muito além do que podemos alcançar. Para construir engenhos que nos permitam ir mais longe. Para perscrutar pacientemente o céu, noite após noite. E para errar tantas vezes e recomeçar tudo de novo. Contrariar o que todos dizem, estando ciente das consequências, e afirmar com convicção aquilo em que se crê. O que é maravilhoso no mundo da ciência e, também, no quotidiano mais banal que possamos ter. Somos todos exploradores em potência. O que nos trará de novo o dia de hoje?



O primeiro carro
Novembro 19, 2017, 11:01 pm
Filed under: crónica

Ainda me lembro da matrícula do primeiro carro que comprei. AS-62-28.

Hoje sou bisavô mas já fui menino. Já fui do tamanho dos meus netos e bisnetos, o que é curioso, porque só me sabem imaginar de óculos e cabelo branco.

O primeiro carro era um Opel Record, seis lugares de livrete. Era vermelho, tu não conheceste.

(Na televisão gritam: Atenção, Griezmann pode marcar! O remate e a defesa, é a terceira grande oportunidade.)

Comprei o carro em 67 ou 68, penso que foi isso. Ninguém sabe hoje como eram aqueles tempos. Ganhávamos a vida com muito suor, com esforço para sermos alguém. Tinha que se lutar muito, ainda hoje tem que se lutar. Temos que lutar todos os dias.

No tempo de menino, a agricultura dava para comer e pouco mais. Não havia caminhos bons, eram tudo caminhos cheios de lama e buracos por onde passavam os bois. Todos tinham nome. Um era Gancho, outro era Malhado. Era o que turrava, esse era terrível.

Nós dizíamos: – Anda cá Lindo, anda cá Gaúcho.

Vejo tudo como se fosse hoje. Vejo ainda a montra pequenita onde se punham as coisas expostas da vidraria onde comecei a trabalhar, em Gaia.  Aprendi então a fazer caixilhos e a colocar vidros.

Depois apareceram uns biscates maiores. Quase não havia vidraceiros, só no Porto para onde passei depois. Essa é outra história.

E os sustos de noite cerrada? Costumava ir para o baile de Guetim, acima ali de uma padaria. Pagavam-se cinco tostões de entrada. Íamos para lá dançar e depois vínhamos embora pelo moinho e pelo meio do pinhal até à estrada que vem de Espinho. Um dia qualquer vinha a chegar aos prédios novos que há agora. Na altura não havia nada. Quando cheguei àquele terreno começou a chover muito e ouvi um barulho de gente.

– Ai Jesus.

Não se via um palmo à frente. E eu perguntei:

– Posso passar?

E fui passando até conseguir ver que era o Cristo.

-Oh Cristo, bandido, estás aqui a esta hora a meter medo à gente?

– Escorreguei!

 (O meu avô ri-se e fala do passado com muito carinho, desfiando um emaranhado de fios preciosos que nos conduzem às memórias ainda tão nítidas. Lembra-se de todos os pormenores. Penso se, também eu, poderei um dia contar histórias tão vivas.)

O carro vermelho, repete, era bonito. Ainda hoje seria um carro bonito.



Pela estrada fora
Novembro 19, 2017, 11:01 pm
Filed under: crónica

Sei que em movimento também se criam raízes. Para mim, viajar é crescer.

Lembro-me bem da entrada nos 25 anos. Passei a meia noite num comboio noturno entre Zagreb e Split, na Croácia.

O Pedro escrevia-me uma mensagem de parabéns num caderninho que guardo com anotações da viagem. Víamos a noite lá fora cortada por pequenas luzes. Estava muito calor e abrimos a janela – seguíamos em frente sentindo o vento morno.

Começámos em Berlim que logo nos encantou com a diversidade e liberdade.

Aí, escrevi: “Vi um muro que caiu e hoje ninguém o pode erguer, como a música que depois de entrar nos poros não volta à superfície da pele. Isso é contra qualquer lei que nos faz ser. Foi assim com o assobio em Tiergarten antes do silêncio e do medo calcado pelos nossos pés doridos, granito dourado que fala de deportações e holocausto e isto é a morte que se ri da dor de alguém igual. Como iguais os que nadam agora na fonte pública, caminham na avenida sob as tílias até à porta da cidade, navegam na ilha dos museus e o que há mais? Lambem as mãos do kebab, têm ressaca de cerveja e ânsia por chegar ao êxtase, têm filhos pequeninos muito bonitos, luzes azuis nos olhos a crescer mais do que a torre de radiodifusão de sinal. Grafitam liberdade contra o esquecimento que nunca se esquece de vir, têm empregos e pagam contas e dizem bom dia, até amanhã ou nada disto mas só calor e fome. E depois há as tatuagens a seduzirem-nos, qual é a tua? Marcam encontros na alternativa e rebelde Berlim, Berlim agitada e vanguardista onde voam no metro tantos cabelos cor do mar que aqui não rebenta. Cabelos soltos ou apanhados como as pessoas são precisamente soltas ou apanhadas num nó impossível de desfazer.”

Depois cidades maravilhosas: Praga, Cracóvia, Budapeste, Viena. Em Roma um imenso calor a colar-se ao corpo e às ideias e os gelados mais maravilhosos para nos salvar. Vivi muito e esqueci-me de escrever. Mas, nos comboios, vi muitas pessoas escreverem cadernos de viagem onde colavam selos, bilhetes, recibos e fotografias. Quis sempre lê-los a todos mas pude apenas espreitar por cima do ombro.

No interrail, li Pela estrada fora, de Jack Kerouac. Não poderia imaginar melhor livro para ler nesta viagem de mochila às costas e aventura no olhar.



Amigas de infância
Julho 29, 2017, 9:42 pm
Filed under: crónica

Tenho a maior sorte em ter duas amigas de infância. Não é preciso escrever que nos acompanhamos desde sempre e que continuará a ser assim – somos amigas de infância.

Cresci com a Joana e a Filipa. Fizemos brincadeiras de recreio, vestimos roupas muito duvidosas, vimos as primeiras vezes em que cada uma se maquilhou, trocámos muitos papéis com mensagens nas aulas, sentimos juntas a emoção das primeiras saídas à noite, mergulhámos sincronizadas no mar. Rimos às gargalhadas e amuámos e rimos outra vez. Também andámos de patins nas aulas de Educação Física e tenho quase a certeza de que seria eu quem tinha menos perícia.

Com o tempo, cada uma foi conhecer um bocadinho mais de mundo: Coimbra, Madrid, Bolonha, Oulu, Bruxelas, Maputo, Londres. Sempre que pudemos, visitámo-nos e ficámos muito orgulhosas ao ver a amiga de sempre ser a melhor guia do mundo num lugar longe de casa.

Gostamos muito de voltar a casa. A nossa casa pode ser uma esplanada em Espinho, onde fomos crianças e adolescentes, ou qualquer lugar onde estejamos as três. A casa é, na realidade, a possibilidade de estarmos no mesmo espaço a reviver muitas histórias e a construirmos muitas mais. Como o Porto repleto de martelos, manjerico e bailaricos, há poucos dias, quando a Filipa veio numa visita relâmpago, e foi tão bom. Foi também Marraquexe, em abril, quando quis todos os dias abraçá-las infinitamente por estarmos ali, juntas, numa viagem surpresa tão bonita. Houve tempo para vermos os encantadores de serpentes na Praça Jemaa el-Fna e para admirar as mesquitas. Também para nos encantarmos no Jardin Majorelle, relaxarmos num hammam e subirmos a montanha do Atlas, ou olharmos a mulher que no meio da confusão pegou na mão da Joana para desenhar a henna, e depois na nossa. Foi uma henna muito amadora e com uma cor diferente de todas as que vimos, como nos lembrará daqui a algum tempo a fotografia que tirámos. Tenho a certeza de que nos vamos rir, meter as mãos à cabeça, e perguntar uma vez mais: que tinta seria aquela?

Em tempos, aproveitei uma promoção de impressão de fotografias e mandei imprimir muitas mais do que as que consegui colocar em álbuns. Ontem encontrei a caixa onde guardo todas estas fotografias. Encontrei tantas com a Filipa e a Joana. Na primeira que vi estamos de gorro e luvas, seguida por uma em que estamos muito morenas, muito felizes, e com os cabelos cheios de sol. Em breve estará aqui a foto das nossas hennas e das ruas de Marrocos tão vivas de tecidos coloridos e especiarias.

No aeroporto de Marraquexe, entrámos em aviões diferentes. E de repente a vida acontece num piscar de olhos, passam-se alguns meses, e reencontramo-nos como se nos tivéssemos separado há cinco minutos. É o maior cliché dos melhores amigos e continua a ser a maior verdade.

Quando nos encontrarmos outra vez vai ser a festa de sempre, imagino até que muito maior, sabendo que temos esta sorte de sermos amigas de infância.



Um tesouro
Junho 8, 2017, 8:57 pm
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O meu pai conta uma história que quero muitas vezes ouvir de novo. Gosto particularmente de ouvir contá-la com novos pormenores às netas. Então viajamos no tempo e conhecemos o pai e avô que também foi criança de joelhos rasgados e muitos sonhos nos bolsos.
A história é simples e, literalmente, doce: há 60 anos, o patrão do meu avô deu ao meu pai um pacotinho de quatro ou cinco bolachas de baunilha. Falamos das retangulares, finas, com recheio, estaladiças e propícias a deixarem vestígios de migalhas felizes. O meu pai conta que, na altura, sabia que aquelas bolachas existiam, mas nunca as tinha comido.
Vamos ao momento em que recebeu o pacotinho que embrulhava a oferta mágica. Olhou muito as palmas das mãos ou o que nelas segurava com todo o cuidado do mundo. Os homens adultos despediram-se e era tempo de regressar. O meu avô indicou o caminho, sempre em frente, e o menino caminhou algum tempo com o pacote nas mãos. Por que é que não o abriu de imediato e, neste ponto, já teria a boca lambuzada de baunilha? Talvez para prolongar o enorme espanto.
Estamos quase a chegar à loja dos seus avós maternos, meus bisavós, e é importante olhar para o chão – as ruas são esburacadas. Logo ali há um buraco maior, onde passa a água, e se alguém meter o pé cairá de imediato.
O Joaquim que ainda não sabia o que era ser pai ou avô, só criança de calções pequenos, meteu o pé e caiu de imediato. As bolachas, claro, ficaram esmagadas debaixo do corpo. Mal se levantou analisou os estragos: tudo era migalhas e pedacinhos de baunilha.
O meu pai conta que “foi uma tristeza infernal”. Veio de Grijó até Nogueira a pé sem comer uma única bolacha. Foram vários quilómetros a olhar um tesouro que ainda não queria abrir. Era um pacote só para ele, sem ter que dividir com o irmão. Juraria que seriam bolachas maravilhosas sem nunca as ter provado. Bastava olhar para elas e antecipar o momento em que trincaria uma a seguir à outra.
Mas não choremos sobre o leite derramado ou, neste caso, as bolachas esmagadas. Já sabemos que o buraco não se desviará do caminho e que o menino cairá com o maior susto. Mais tarde, provará as migalhas possíveis.
Hoje, o meu pai adora bolachas de baunilha. Elegeu-as as suas preferidas. E podem comprar-se pacotes grandes com muitas bolachas alinhadas, mas sei que ele, regrado, não comerá mais do que duas ou três de uma vez.
Eu também gosto muito destas bolachas, e gosto ainda mais quando penso neste episódio de infância. Lembra-me que os tesouros são do tamanho da nossa gratidão. Os maiores brilham tanto mais quanto mais agradecidos formos.
Parece simples, então, admirar um tesouro raro. Se soubermos, todos os dias, esquecer o que damos por garantido e surpreendermo-nos com as pequenas e deliciosas dádivas, a nossa felicidade dispara. É por isto mesmo que quero ouvir de novo esta história contada pelo meu pai: faz-me querer olhar para tudo como para um pacotinho de quatro ou cinco bolachas de baunilha que por obra improvável e generosa está nas minhas mãos. Nesse momento, tudo pode ser uma descoberta de olhos a brilhar, venham os trambolhões que vierem.



Singular
Maio 15, 2017, 7:22 pm
Filed under: crónica

Depois da vitória e da felicidade partilhada por tantos, não repetirei como a música é bonita. Ou como é encantador ouvir tantas pessoas trautear “Amar pelos dois”. Hoje, quando entrei no prédio onde vivo e esperando pelo elevador, ouvi alguém da porta em frente cantá-la enquanto descobria os acordes doces na guitarra. Não repetirei como a música que toca a alma ultrapassa qualquer barreira cultural e linguística. É possível não perceber uma única palavra e ter a pele arrepiada. É possível pessoas contrastantes sorrirem ouvindo a mesma melodia.

Quero apenas bater palmas ao poder de não nos levarmos a sério. Acredito sinceramente que o Salvador Sobral tem este poder. Acredito ainda que quem não se leva a sério consegue os maiores feitos. E, se a esta capacidade juntarmos a autenticidade, então algo mágico acontece.

O Salvador suscitou muita estranheza quando apareceu pela primeira vez a cantar o tema da Luísa. Quer fosse pelo cabelo despenteado, casaco grande ou gestos e expressões peculiares, saiu de uma formatação habitual. O Salvador foi diferente desse e de todas as vezes seguintes, assim como todos somos diferentes. E é nesta genuinidade que está o encanto. À medida que foi aparecendo mais vezes, senti que conhecia de alguma forma o Salvador, como quem conhece as particularidades de um amigo. Aquele defeito ou aquele tique ou aquela inclinação ou talento para dizer algo de determinada forma. Os nossos verdadeiros amigos não têm máscaras e o Salvador parece também não saber o que isso é. Sabe ser singular e, se tiver de o ser, politicamente incorreto. Parecemos estar perante alguém fiel a si mesmo e isto é raro. A verdade ainda é desarmante.

Surgiu um movimento espantoso e nomearam-no Salvador adorável. Estamos carentes de transparência. Precisamos de pessoas sem filtros, sem melhores ângulos, sem discursos planeados e tentativas de a todos agradar. O improviso do Salvador, como nos grandes músicos de jazz, é a prova de que a surpresa nos mantém vivos. E a simplicidade é o impulso leve que faz tudo estar certo, assim como certo é o elogio do Caetano que vale tanto mais do que a maior taça que se leva para casa.

Não repetirei como a vitória do Salvador trouxe um novo rumo à Eurovisão ou como foi importante cantar em português em Kiev. Não direi uma vez mais como um coração aberto pode amar por todos.

Lembro-me sim de uma coisa muito, muito importante: ter irmãos é uma benção.