Umumbigo


agora não
Setembro 28, 2009, 1:25 pm
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Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

-Agora não, que é hora do almoço…
-Agora não, que é hora do jantar…

-Agora não, que eu acho que não posso…

-Amanhã vou trabalhar…

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!

-Agora não, que me dói a barriga…
-Agora não, dizem que vai chover…
-Agora não, que joga o Benfica…

e eu tenho mais que fazer…

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!

-Agora não, que falta um impresso…
-Agora não, que o meu pai não quer…
-Agora não, que há engarrafamentos…

-Vão sem mim, que eu vou lá ter…

(Pena é que 39,4% dos eleitores não tenham ido lá ter.  Trata-se de um recorde. As mesas de voto nem apresentam bolinhos de amêndoa ou um cálice de vinho do Porto, qual é a ideia? Perderam-se pelo caminho. É que era domingo, por acaso à segunda há quem trabalhe, é dia do Senhor e do descanso. Dizem que anda aí a gripe A. Mas vejam que nem jogou o Benfica, a chuva não nos fez uma visita. Ou aí, bem, aí o caso poderia ser ainda pior. Não me falem em formas de protesto, para isso há algo designado “voto em branco.”  Não comparecer será mais, sei lá, preguiça? Simplesmente, como cantaria  Ana Bacalhau, há  mais que fazer.)

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a vantagem da tromba
Agosto 31, 2009, 2:39 pm
Filed under: política | Etiquetas: , , , ,

“Tal como os prestidigitadores, também os elefantes têm os seus segredos. Entre falar e calar, um elefante sempre preferirá o silêncio, por isso é que lhe cresceu tanto a tromba que, além de transportar troncos de árvores e trabalhar de ascensor para o cornaca, tem a vantagem de representar um obstáculo sério para qualquer descontrolada loquacidade.”

A viagem do Elefante, José Saramago

Aí está a solução para algumas (demasiadas) loquacidades mais do que descontroladas, sem pés nem cabeça, quanto mais tronco e substância, absurdamente deitadas apenas da boca para fora: esquecendo o passo fulcral de fazerem uma visita ao cérebro. É que, ocasionalmente, umas trombas no Parlamento não ficavam mal, não.

Vai um exemplo?