Umumbigo


mansarda
Setembro 25, 2009, 8:46 pm
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Definição de “mansarda”: sótão, águas-furtadas. Entre o céu e a terra.  Com chuva, com terra, com máquinas de costura e voz e tempo e um baloiço que vai e vem, sorrisos. Natural e animal. Paredes de memória e vida que correu na pele, nos pés, nos olhos. Mansarda, uma peça de teatro da companhia Circolando. Não posso deixar de aconselhar esta experiência dos sentidos e do coração. E sai já este domingo do Teatro Carlos Alberto, no Porto. Ruma ao CCB.

“Espectáculo de encerramento do ciclo “Poética da Casa”, “Mansarda” propõe uma súmula das várias ideias de casa que com ele queremos abordar: casas feitas de pele-memória que existem fora do tempo. Casas com raízes e sabor a terra sensíveis ao ciclo das estações.

Casas-corpo-árvore, pés mergulhados na terra e cabeça a tocar o céu. Casas com as memórias de um mundo rural antigo, com a lembrança dos campos e dos animais. Casas com os serões de trabalho e festa, com os medos da escuridão e o secreto desejo da viagem. Casas com ninhos prestes a voar. Casas que integram o vento e a chuva e acolhem um sonho de mar. Casas-ilha, casas flutuantes, casas da eternidade. Casas com as paisagens da imensidão.

As linguagens das imagens e das emoções, do corpo, dos objectos, da música voltarão a ser base deste novo manifesto poético que, sem palavras, quer falar da importância da preservação da memória e do devaneio.

Ao longo da vida vamos construindo um sótão-abrigo onde guardamos os nossos sonhos-lembrança fundamentais. As vivências, as histórias, as imagens que fomos retendo para podermos a elas voltar sempre que o desejamos. No fundo, uma casa para o nosso coração. Uma casa que se confunde connosco e sempre nos acompanha.

Velhos, visitamos estes sótãos com raízes numa infância longínqua e fazemos soar livres os fios da memória. Baralhamos a curva do tempo. Caminhamos em direcção aos inícios, vamos para o lugar onde se encontra a morada dos nossos devaneios…

Os escritos de Bachelard e os desenhos, as esculturas e as instalações de Louise Bourgeois serão o ponto de partida para um diálogo com múltiplos autores: Tonino Guerra, Miguel Torga, Cesare Pavese, Mia Couto, Chagall, Dussaud. A máscara, o palhaço, a dança com cadeiras, roupas, ramos, palha, a música das máquinas de costura-sanfona, a voz e o canto serão matérias certas no trabalho de improvisação teatral.”

in Agenda Universia

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