Umumbigo


remind
Outubro 5, 2017, 9:14 pm
Filed under: música

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Maputo
Outubro 1, 2017, 9:44 pm
Filed under: Moçambique

O vento é morno e as águas serenas. O barco afasta-se lentamente do sol, que aqui se
deita no chão. A cidade faz-se de prédios velhos e talvez os mais altos desmaiem a
qualquer momento. Ainda se ouve o barulho do porto – em breve sairá um batelão
levando uma mancha de capulanas com cestas de caju e mangas doces à cabeça. Há
um guindaste parado. Afastamo-nos mais e vemos que as árvores estão cada vez
maiores. Gritam que uma semente tem mais força do que um tijolo. O sol continua a
descida abrupta, incendiando as nuvens e o mar e os nossos olhos. Maputo é um
recorte dourado.



Afurada
Outubro 1, 2017, 9:43 pm
Filed under: música



manhã
Setembro 25, 2017, 5:28 pm
Filed under: poesia

Era preciso agradecer às flores

Terem guardado em si,

Límpida e pura,

Aquela promessa antiga

Duma manhã futura.

Sophia de Mello Breyner Andresen



O segredo dinamarquês
Setembro 25, 2017, 11:14 am
Filed under: Uncategorized

Houve um período em que, por cá, um novo termo saltou para a luz da ribalta: hygge. Qual o motivo para a Dinamarca ser o país mais feliz do mundo? A resposta apontava os focos de novo para a palavra: hygge.

Entretanto, outros termos e temas ocuparam o espaço noticioso e não pensei muito mais no hygge até ler um livrinho que desvenda este segredo dinamarquês e que apresenta o hygge como a busca da felicidade quotidiana.

Qual o sabor do hygge? É quase sempre familiar e reconfortante. Pode ser um bolo delicioso ou o assado tradicional num domingo de família. Pode, simplesmente, ser uma chávena quente de chá com mel.

E o som? Imaginemos trovoada lá fora, e o som do crepitar da lenha na sala. Ou o som de um lápis a pintar uma folha. Uma música de que gostamos muito?

E o hygge tem cheiro? Talvez esteja numa manta que nos aquece, ou numa casa que traz recordações de infância. Para mim, o hygge tem o cheiro do mar.

Pode ver-se o hygge? Sim, vêmo-lo por exemplo num espaço iluminado por velas que ardem lentamente.

E qual é, afinal, a sensação do hygge? Um toque da mão na lã, na madeira rústica, um toque do vento morno na pele?

Falamos de um sentimento profundo de segurança. Estar com as pessoas de quem gostamos nos sítios de que gostamos. São as pequeninas coisas da vida que fazem os dias valer a pena e que devemos perseguir.

Os dinamarqueses encontraram um termo para esta sensação e procuram-na todos os dias. Talvez, por isso, sejam tão felizes. Vou então beber agora a chávena de café que está à minha frente, a repousar, acompanhada de um quadradinho de chocolate, e tirar o maior partido deste momento. E de todos os que se seguirem. Como escreveu Benjamin Franklin, “a felicidade consiste mais em pequenas conveniências ou prazeres que ocorrem todos os dias do que em grandes pedaços de sorte que acontecem raramente.”



futuro
Setembro 22, 2017, 10:19 pm
Filed under: de ler

“Não era tanto o que havia ao fundo da estrada que assustava Ammu, antes a própria natureza da estrada. Sem marcos quilométricos a acompanharem-lhe o curso. Sem árvores a crescerem na berma. Sem sombras sarapintadas a ensombrarem-na. Sem neblinas a passarem nela. Sem pássaros a esvoaçarem sobre ela. Sem desvios, curvas e contracurvas obscurecidas, ainda que momentaneamente, antes uma visão nítida até ao fim. Isto encheu Ammu de um temor imenso, porque ela não era o tipo de mulher que quer saber o futuro de antemão.”

O Deus das Pequenas Coisas, Arundhati Roy



vida real
Agosto 27, 2017, 12:03 pm
Filed under: citações, de ler

“Horas sombrias se avizinham, tudo parece indicá-lo. Importa não esquecer, porém, que mesmo nas histórias inventadas é sempre possível a reviravolta, um jeitinho, o flique-flaque, uma torcidela no rumo dos acontecimentos. Isto na ficção, que tanto se embaraça com lógicas e verosimilhanças – quanto mais na vida real, menina com outro desprendimento, superior à vontade, permitindo-se surpresas e fantasias, despreocupada do plausível.”

Mário Zambujal, Histórias do Fim da Rua