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“Mas as palavras são seres. O jogo enfeitiçar-te-á até dele fazeres parte. Passarás a vida a defender o direito que o jogo tem de te atrair para o labirinto enquanto o atrais para o humor. Lês sem compreenderes o que lês, portanto lês mais, desfrutando do talento das palavras para o desvio do mundano.
As palavras são ondas. Aprendes a nadar seduzido por uma que te cobre de espuma. As palavras têm o ritmo do mar e o chamamento do mistério: Vem a mim em busca do que desconheces, vozeou-te o azul. Salvaram-te a sorte e quem vigiava a praia da separação definitiva do som das palavras. A alforreca continuou a picar-te, mas nunca perdeste o amor ao mar, a fonte do ritmo primordial. Como pode o mar ser aprisionado em três letras, a segunda das quais transborda de sal? Como podem as letras ser tantas palavras? Como podem as palavras ter espaço suficiente para abarcar o mundo?”
Na Presença da Ausência, Mahmoud Darwich