Umumbigo


um louco que escreve não é totalmente louco
Janeiro 16, 2026, 6:35 pm
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“O irreal exprime-se, abundantemente (mil romances, mil poemas). Mas o a-real não se pode exprimir; pois, se o exprimo (se o aponto, mesmo que seja com uma frase inábil ou demasiado literária) é porque dele saí. Eis-me ao balcão da estação de Lausana; na mesa vizinha dois provençais cavaqueiam; repentinamente, para mim, é a queda livre nas profundezas da a-realidade; mas a esta queda, muito rápida, posso atribuir um sinal distintivo; a-realidade — digo-me — é isso mesmo: «um estereótipo bem denso, dito por uma voz suíça ao balcão da estação de Lausana». No lugar daquele vazio, um real muito vivo acaba de surgir: o da Frase (um louco que escreve não é totalmente louco); é um falsificador: nenhum Elogio da Loucura se torna possível.”

Fragmentos de um discurso amoroso, Roland Barthes 




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